29 de outubro de 2011

Testemunho de cura de câncer


Testemunho do irmão Evandro Ferreira

Ao completar 17 anos, tive uma experiência marcante, foi um sonho em que era levado a um local que ficava bem abaixo da superfície da terra. Vi-me em um corredor ladeado de grades pelos dois lados. Por detrás das grades, pessoas que eu conheci e que haviam morrido, gritavam me pedindo que as tirasse de lá. Eu não podia fazer nada por elas, graças a Deus ao terminar o sonho eu não me lembrava mais de quem se tratava, seria um sofrimento se lembrasse. Ao meu lado caminhavam dois homens pelo corredor. Ambos eram de boa aparência, sendo que eu identificava os dois como sendo um do bem e outro do mal. Fomos caminhando até o final deste corredor. No final havia um trono em que o homem do mal se assentava. O homem do bem me deu dois textos e me pediu que os guardasse, sendo que antes que eu os guardasse o homem do mal roubou-me um. O outro era o texto de Habacuque 1.14 “Farias os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não têm quem os governe.” O contexto, desde o primeiro versículo do capítulo, trata da independência do homem, fala da falta de governo do homem natural. Creio hoje, que o segundo texto que me foi entregue e que o homem do mal me roubou, fale sobre o propósito eterno de Deus, que me foi pregado anos após, fale também sobre o remédio para a falta de governo na vida do homem, e sobre o fim da tortura que o império das trevas nos impõe.

No final de 1981, estava jogando futebol e após chutar a bola senti uma dor muito forte acima do joelho, esta dor se repetia sempre que forçava a perna e isto me obrigou a procurar um hospital. O médico bateu uma radiografia e verificou a existência de um tumor com características malignas, claro, me omitindo isso e dizendo apenas aos meus pais. Marcou então uma biopsia que confirmaria a malignidade do tumor. Meus pais e irmãos choravam o tempo todo, quando iam me visitar, o que me deixou preocupado, pois até então eu achava que estava tudo bem, ou seja, retirariam o tumor e eu iria para casa. Foi então que procurei o médico e este me disse do que se tratava. Não recebi isso, olhei para minha perna e chorando pedi a Deus que não deixasse que eu a perdesse. Abri minha bíblia e meus olhos se depararam com Jeremias 30.17 “Eis que te restaurarei a saúde e curarei as tuas chagas”. Peguei uma licença de fim de semana e não voltei mais, era um hospital universitário. Neste fim de semana, fizemos uma vigília de oração.

Procurei em seguida o INCA, (Instituto Nacional do Câncer). Eles examinaram as mesmas lâminas e ficaram estupefatos, pois o laudo do hospital universitário foi dado pela maior autoridade em patologia da América latina, na época. Após a analise deles, foi verificado benignidade na lâmina. O tumor foi curetado e o local enxertado com pedaços de ossos da tíbia.

Em 1985, já casado com Lili, as dores voltaram e bem piores que antes. Voltei ao Inca e o tumor tinha aspectos de malignidade, partes moles haviam sido afetadas, achavam que seria um osteosarcoma (tumor ósseo maligno). Mais uma vez confiei na primeira palavra que o Senhor me dera 4 anos antes. Submeti-me a biopsia e para espanto dos médicos o resultado foi fibroma não ossificante(tumor benigno). Eles resolveram fazer enxerto com um material sintético e uma aste ao centro ligando a cabeça do fêmur até um terço acima, pois não haveria osso suficiente para um segundo enxerto devido ao tamanho do segundo tumor e mesmo tirando-se os dois ilíacos (ossos da bacia), não conseguiriam êxito. Daí comecei a ter dores sem fim. A perna inchou, o organismo rejeitou e abriu-se uma fístula como defesa do organismo. Eram feitos três curativos por dia devido a quantidade de secreção. Os médicos mudavam os antibióticos e o secreção não cedia, as dores eram terríveis, eles revezavam entre antinflamatórios e injeções de corticóides para o alívio das dores, nada mudava, foi quando a fístula fechou e eu já não agüentando mais ir ao INCA. Procurei o HTO (Hospital de tráumato-ortopedia), não havia vagas, pois eu estava infectado e para pacientes infectados existia apenas um quarto com 8 leitos, todos ocupados, eu seria o próximo. Lili, minha esposinha amada, que estava comigo o tempo todo, suplicou a direção do hospital, então um dos médicos, penalizado, com o tamanho de minha perna, entrou em contato com uma clínica, na qual também dava plantão e pediu que me atendessem, pois ninguém, nenhum hospital ou clínica mesmo tendo um bom plano de saúde, julgava-se capaz de mexer na minha perna. A direção da clínica disse que o que poderiam fazer era uma pequena incisão e retirar a secreção até surgir uma vaga no HTO. Liguei para minha mãe e pedi a ela que orasse para que conseguíssemos, pois a dor estava ficando insuportável. Ela me pediu que cresse e que o Senhor era comigo e que mandaria um anjo a minha frente. Chegando a clínica fomos falar direto com o diretor, levando o pedido do HTO, ele pediu que eu fosse ao setor de cadastro dar meus dados pessoais, para dar entrada no hospital, enquanto a Lili detalhava toda a situação a ele. Chegando a sala de cadastro, para o meu espanto, a pessoa responsável já estava escrevendo, olhei para a ficha e o meu nome, endereço, documentação e dados pessoais já estavam sendo colocados por ela. Eu disse que estava ali a mando do diretor para fazer a ficha de entrada. Ela olhou para mim e para o meu lado e perguntou. “Quem vai ser operado? Você ou ele?” eu olhei para o lado e não vi ninguém, daí lembrei-me do que minha mãe disse quando liguei prá ela. Tratava-se do anjo que foi a minha frente e que estava ali.

Dias depois surgiu a vaga no hospital, corremos prá lá e o médico disse que iria examinar a lâmina e caso fosse tumor benigno, seria usada uma técnica recém criada de crescimento de ossos, eles retirariam a aste e o material sintetico, curariam a infecção e colocariam este aparelho que faria crescer o fêmur até o tamanho ideal, mas se fosse maligno não teriam mais nada a fazer a não ser a amputação e bem rápido, pois o osteosarcoma é um tumor muito agressivo.

Nesta época, Lili estava grávida da Thalita. Para minha surpresa eles examinaram a lâmina do INCA e discordaram do laudo, achavam mesmo que seria um osteosarcoma, embora não achassem explicação para eu estar vivo.

Neste ano, 1987, teve um congresso de ortopedia no Rio e haviam médicos de várias partes do mundo. Um médico cubano que havia vindo para este evento e que diziam ser uma das maiores autoridades em ortopedia do mundo, disse também não entender o porquê de eu estar vivo, mas que se tratava mesmo de osteosarcoma e que o melhor a ser feito era mesmo amputar, por se tratar do meio mais seguro, assim tentariam me manter vivo para criar minha filha. Já cansado de indas, vindas, sofrimentos com dores terríveis e na expectativa de ser amputado e me livrar daquelas dores, acabei concordando, sendo que desde o começo da doença Lili me dizia: “Você vai ficar bom!!! Não desiste!!!”.

Era uma segunda-feira e o médico disse-me que a psicóloga iria conversar comigo e em seguida uma assistente social levaria um documento em que eu autorizaria a amputação. Concordei aliviado de que tudo aquilo, enfim, iria acabar. Contudo não tive paz durante toda semana, o documento não chegava, me deixando agoniado, era um conflito terrível!! Já achava que Deus iria me curar após a amputação e ao mesmo tempo a promessa que ele me fez não saía da minha cabeça. Eu teria visitas no domingo e na noite de sábado para domingo, tive um sonho em que alguém dizia prá mim: “Depois de tudo o que passou e de todos questionarem o porquê de você ainda estar vivo, você vai desistir agora?”. Acordei, meio sobressaltado, mas achei que aquilo tudo, fosse coisa da minha cabeça.

No domingo, na hora da visita, todos em volta da minha cama, eu demonstrando um “alívio” devido a cirurgia em que o “problema” seria tirado(amputação), procurava sorrir, contar piadas e descontrair a todos que chegavam, quando de repente, meu tio chegou acompanhado de um Senhor bem moreno, alto, muito bem arrumado e com uma bíblia nas mãos. Meu tio me apresentou e disse que o havia conhecido no ônibus, após ver que ele portava uma bíblia, o convidou para fazer a visita, contou-lhe resumidamente a minha situação. Este homem se dirigiu até mim e disse que eu havia tido um sonho e que eu já havia tido a resposta de que precisava e que não era para interromper a vontade de Deus. Após dizer isso se retirou e todos ficaram olhando uns aos outros. Meu tio foi imediatamente atrás do homem e não o encontrou no corredor, sendo que o tempo que meu tio levou para chegar ao corredor era ínfimo se comparado ao tempo de caminhada do corredor aos elevadores, ou seja, o homem desapareceu, o que me levou a crer que se tratava do mesmo homem que não consegui ver na clínica, um anjo do Senhor.Minha fé se renovou.

Naquela tarde um médico residente, meu xará, Dr. Evandro foi tirar seu primeiro plantão nos infectados. Ele olhou para mim e disse: “Meu amigo, depois de tudo o que li na sua ficha eu pensei que chegaria aqui e me depararia com um semi cadáver, se não com um próprio, porém seu quadro clínico não espelha a realidade de seu prontuário. Rapaz, se eu fosse você, depois de todos esses anos com osteosarcoma estando ainda vivo eu procuraria um tratamento na medicina alternativa, mas jamais deixaria amputar minha perna.” Em seguida me deu o endereço de um amigo seu, que clinicava como veterinário no Rio e como homeopata em Teresópolis, disse que ele se interessaria pelo meu problema e que não cobraria um centavo. Na segunda-feira, como era quase véspera de natal eu pedi para ir de licença para casa, não voltei mais, pois se voltasse seria para ser amputado.

Fui a Teresópolis, mas decepcionei-me com o cansaço e o desgaste, pois ainda sentia muitas dores, a fístula às vezes fechava e eu mesmo a abria, pois não aguentava a dor. O médico então pediu-me que passasse a ir em sua clínica veterinária e que daria um jeito de me consultar lá. Era Deus, mesmo, curando minhas chagas como me prometeu em Jeremias 30:17, pois eu ficava ali esperando a vez de ser chamado no meio de cachorros e gatos (risos). A clínica era em Copacabana, eu chegava sem nenhum bichinho e as mulheres com seus cachorrinhos e gatinhos me olhavam admiradas como se pensando: “Onde está o cachorinho dele?”. Daí o médico me chamava, os risinhos eram nítidos, pois após chamar os rexs, totós e mimosos, ele chama “Evandro”. Era engraçado, eu mesmo, ria daquilo tudo. Essa situação durou ainda dois anos, sendo que nada mudou.

Em 1990, estávamos eu e a Lili assistindo um tele-jornal, quando a chamada anunciava o primeiro transplante de fêmur da América Latina. Ele seria feito no HTO, pela mesma equipe que, há dois anos atrás, queria amputar minha perna, por não existirem recursos. O médico que deu a entrevista era o Dr.Sérgio Rudge, chefe da equipe e diretor do hospital. Naquela noite, como em muitas outras, eu não dormi. Primeiro devido as dores e depois pela notícia do tele-jornal que me deixou ansioso. Primeiro fomos a clínica particular do Dr. Sérgio, pois para obter uma consulta com ele no HTO demoraríamos alguns meses e depois ele conhecia minha perna como nenhum mortal conhecia. Ao chegar lá ele se espantou e disse exatamente isso: “Evandro!!! tu fugiu do hospital e ainda tá vivo cara !!!”. Eu perguntei a ele se teria como me transplantar um fêmur de cadáver, ele disse: “Claro!!! Já temos um banco de ossos te esperando. Vai no Hospital e procura o Miguel (chefe da equipe em 88), ele vai gostar de saber que você ainda está vivo e vai te arranjar uma vaga".

No dia seguinte estávamos lá, eu e a Lili. Fiz todos os exames e eles me explicaram o que fariam: retirariam o material sintético e a aste metálica que fazia a ponte entre a cabeça inferior do fêmur com o restante que ficava 1/3 acima, colocariam em seguida um fixador externo que é um aparelho que fixaria pinos na canela até acima da parte afetada, este aparelho sustentaria a perna, ou seja, faria as vezes do osso, pois 1/3 do fêmur ficaria vazio até a cicatrização e a cura da osteomielite(infecção óssea causada pelo material sintético do segundo enxerto). Após isso seria feito o enxerto, que no caso de osso o percentual de rejeição é muito baixo, ou seja, minha cura total !!! eu não acreditava naquilo, ficaria curado após 10 anos de sofrimento.

Quando minha mãe, foi me visitar e soube do que seria feito, ela deu um sorriso meio amarelo e disse: “Eu não concordo com esse negócio de colocarem um osso de mulher na sua perna, o Senhor fez pedaço por pedaço de você dentro de meu ventre e pode restaurar esses pedaços que se perderam, ou você depois de tudo o que aconteceu ainda duvida?” Eu ri do jeito simples daquela mulher, de joelhos calejados, se expressar e disse a ela: “Mãe, o milagre que Deus me prometeu lá em 1981 acaba de chegar!! Como Deus irá fazer não importa.” Ela disse: “Pois eu vou orar e Deus irá fazer crescer um osso, para que creias no que estou falando.”

Fui para a cirurgia, esperando voltar com o fixador externo, imaginando, muito nervoso, como seria, sentir aquela grade com pinos espetados na carne da minha perna. Quando passou o efeito da anestesia, minha perna estava enfaixada, mas sem o fixador externo e pela primeira vez após cinco anos ininterruptos eu não sentia dor, era incrível !!! Pouco a pouco os médicos foram entrando no quarto, Um deles que era professor de medicina da UFRJ disse: “Rapaz, nós não entendemos nada, no raio X antes da cirurgia, não tinha osso nenhum dos lados, apenas a cabeça do fêmur e aquele material sintético que te matava de dor. Quando abrimos e tiramos tudo, vimos no fundo uma casquinha de osso como se estivesse se formando um novo fêmur, sem falar, que não está infectado. Vamos fazer o seguinte, você vai ficar ainda uns dias em observação, depois vai para casa de alta, para não se contaminar com outras bactérias, pois sua perna está aberta, mas não me coloque esta perna no chão! Vamos deixar encher de partes moles, para depois fazermos enxerto com os seus ilíacos, o transplante está descartado, não há mais necessidade.”.

Lembrei-me, mais uma vez, da oração da genitora e vibrei muito, em choros e agradecimentos ao Senhor, contudo era terrível ficar ali, sem dor nenhuma, depois de tantos anos em que mesmo com dor eu andava de muletas, agora sem dor nenhuma tinha a ordem de não colocar a perna no chão. Fui para casa de alta e embora ainda usasse muletas, fazia muito a contragosto, pois não sentia mais nada, eu queria andar !!! E sei que se arriscasse conseguiria. Um dia levantei-me para beber água e arrisquei colocar a perna no chão, não havia dor nenhuma, fui andando até a geladeira, Lili ficou desesperada e de manhã ligou para o hospital e dedurou-me ao médico. Ele mandou que eu fosse urgentemente para o hospital e quando cheguei lá, me olhou esbravejando: “Já para o raio X”. Quando o raio X ficou pronto, ele chamou todos os médicos da junta, inclusive o Dr. Sérgio Cortez, hoje interventor da saúde no hospital, eles não acreditaram no que viram, o fêmur estava quase todo recomposto, eles disseram que não mexeriam em mais nada, pois a “natureza” estava operando em minha perna e então testemunhei sobre o Senhor que cura. Desde então nunca mais apareci por lá.

Esse é o meu testemunho de cura. Ele é bem grande e animador para quem encontra-se em situação semelhante a que vivi, mas o maior testemunho que tenho em minha vida, foi quando conheci o evangelho do reino. É muito gostoso ouvir do Senhor, “filho a tua fé de salvou”, mas nem sempre estamos dispostos a ouvir e obedecer o “Vai e não peques mais”. Esse segundo milagre demanda entregarmos o governo de nossas vidas a Jesus e depender dele eternamente.

Beijos em todos.

Evandro Ferreira


Tirado do site:

http://fazendodiscipulos.com.br/

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"Amada, o nosso bom testemunho de vida cristã começa dentro do nosso lar".
QUAL O PAPEL DO MARIDO E DA MULHER DENTRO DO LAR?
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